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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Parada Cardiorrespiratória (PCR)




CONCEITOS

1.   Parada cardiorrespiratória (PCR): interrupção súbita e brusca da circulação sistêmica e da respiração.
2.   Morte biológica irreversível: deterioração irreversível dos órgãos e sistemas, que se segue à PCR, quando não são instituídas as manobras de circulação e oxigenação.
3.   Morte encefálica: necrose do tronco e do córtex cerebral pela falta de oxigenação por mais de 5 minutos.

A morte súbita é uma das principais causas de morte nos países desenvolvidos. A maior parte das paradas cardiorrespiratórias se deve a um problema cardíaco, com amplo destaque para as síndromes coronarianas agudas.
O ritmo de parada cardíaca mais comum no momento do colapso cardiocirculatório é a fibrilação ventricular (FV) ou taquicardia ventricular (TV) sem pulso.
A taxa de sobrevida dos pacientes continua baixa, apesar dos inúmeros avanços na ressuscitação cardiopulmonar (RCP), na desfibrilação elétrica e demais dispositivos auxiliares no atendimento à parada cardiorrespiratória (PCR).

DIAGNÓSTICO E PROCEDIMENTOS INICIAIS

A constatação imediata da PCR, assim como o reconhecimento da gravidade da situação, é de fundamental importância, pois permite iniciar prontamente as manobras de reanimação, antes mesmo da chegada de outras pessoas e de equipamento adequado. Evita-se, dessa forma, uma maior deterioração do sistema nervoso central (SNC) e de outros órgãos nobres.

Situações com Maior Risco de Evoluir para uma PCR

      Cardiopatias (destas, a doença aterosclerótica coronariana é a mais importante);
      hipertensão arterial;
      diabetes;
      antecedentes familiares de morte súbita;
      anóxia;
      afogamento;
      pneumotórax hipertensivo;
      hemopericárdio;
      choque;
      obstrução das vias aéreas;
      broncoespasmo;
      reação anafilática.

Principais Sinais e Sintomas que Precedem uma PCR

      Dor torácica;
      sudorese;
      palpitações;
      tontura;
      escurecimento visual;
      perda de consciência;
      sinais de baixo débito.

Sinais Clínicos de uma PCR

      Inconsciência;
      ausência de movimentos respiratórios;
      ausência de pulsos em grandes artérias (femoral e carótidas) ou ausência de sinais de circulação.

Obs.: a cianose, a lividez e a dilatação pupilar (midríase, que ocorre com cerca de 1 minuto pós-PCR) são sinais comumente utilizados no diagnóstico da PCR. Entretanto, deve-se ter cuidado com pacientes com DPOC (que têm cianose crônica) ou pacientes muito anêmicos (que não ficam cianóticos).

Procedimentos Iniciais após o Reconhecimento de uma PCR

      Determinar inconsciência;
      solicitar ajuda: desfibrilador, monitor;
      colocar a vítima em decúbito dorsal horizontal em uma superfície plana e dura;
      manter a cabeça e o tórax no mesmo plano;
      iniciar suporte básico de vida (ABCD primário – Figura 1).

SUPORTE BÁSICO DE VIDA

Consiste em iniciar imediatamente manobras que restituam a oxigenação e a circulação em órgãos nobres (coração e cérebro), seguindo-se uma sequência denominada ABCD primário (Figura 1).

Figura 1: ABCD primário.

A – Abertura das Vias Aéreas

1.   Alinhamento da cabeça com o tronco.
2.   Extensão da cabeça.
3.   Tração anterior da mandíbula.

Na ausência de tônus muscular, a língua e/ou a epiglote poderão obstruir as vias aéreas, comum em pessoas inconscientes (Figura 2).

Figura 2: A – Obstrução das vias aéreas superiores pelo relaxamento da musculatura.B – Extensão da cabeça e elevação da mandíbula, permitindo a passagem do ar.
A
B
  
Deve-se atentar para a presença de corpos estranhos (dentadura, por exemplo), que deverão ser retirados das vias aéreas quando visíveis e se forem de fácil remoção com o dedo.

Obs.: nos casos de trauma em que pode haver acometimento da coluna cervical, deve-se ficar atento para não se tracionar o pescoço. Nesse caso, para abrir a via aérea, deve-se apenas elevar a mandíbula (Figura 3).

Figura 3: Elevação da mandíbula para abertura das vias aéreas em pacientes vítimas de trauma ou com suspeita de lesão na coluna cervical.

B – Respiração / Ventilação

Se, após a abertura das vias aéreas, o paciente não respirar espontaneamente – ver, ouvir e sentir em 5 a 10 segundos (Figura 4) –, deve-se iniciar a ventilação boca-a-boca, caso não se disponha de máscara para respiração boca-máscara (Figura 5A) ou bolsa-válvula-máscara (Figura 5B).

Figura 4: Abertura das vias aéreas e avaliação da ventilação.

Figura 5: A – Boca-máscara. B – Bolsa-válvula-máscara.
A
B
 

Ventilação boca-a-boca

1.   Após ocluir as asas do nariz da vítima com a mão que mantém a extensão da cabeça, realiza-se uma inspiração profunda e, em seguida, colocam-se os lábios na boca (ou no nariz) da vítima, insuflando, por 2 vezes, um volume de ar necessário para expandir o tórax, com duração de 1 segundo. Deve-se evitar o escape de ar expirado pelo reanimador, mantendo-se uma oclusão adequada. A frequência deve ser de 12 ventilações por minuto, se a vítima tiver circulação espontânea. A FIO2 ofertada pela respiração boca-a-boca é 17% (o ar ambiente tem 21%).
2.   Após abertura da via aérea, se não houver respiração, realizar 2 ventilações.
3.   Fazer inspirações normais evitando hiperinsuflação.
4.   Ventilação com 1 segundo de duração observando o tórax.

C – Assistência Circulatória

No paciente com ausência de pulso ou sinais de circulação, deve ser aplicada a compressão torácica externa (massagem cardíaca externa), que consiste na aplicação rítmica de pressão sobre o tórax, com uma frequência de 100 vezes/minuto. Quando bem executado, esse procedimento promove uma circulação de sangue adequada para os órgãos mais nobres: o fluxo carotídio pode atingir até 30% do normal, a pressão sistólica até 100 mmHg e a diastólica até 40 mmHg. Para maior eficiência das compressões e menor incidência de complicações, alguns detalhes devem ser observados:

1.   As mãos devem ser colocadas sobre a metade inferior do esterno, no ponto em que a linha intermamilar cruza com o esterno. Apoiando-se com a região das eminências tenar e hipotenar de uma das mãos, colocar uma sobre a outra, evitando encostar os dedos no tórax do paciente (Figura 6).
2.   Exercer uma pressão (com a ajuda do peso do corpo) que proporcione uma depressão do esterno de cerca de 4 cm.
3.   Os braços do reanimador devem ser mantidos estendidos, mantendo-se uma pressão perpendicular sobre o tórax do paciente (Figura 7).
4.   Uma vez posicionadas, as mãos não devem ser afastadas do tórax ou mudadas de posição.

A obediência estrita a essas técnicas torna a manobra eficiente e previne ocorrências iatrogênicas, como fratura de costelas, pneumotórax e hemotórax, que comprometem o sucesso da reanimação.

Figura 6: Posição das mãos para a realização das compressões torácicas.

O conjunto ventilação/compressão torácica é denominado manobras de ressuscitação cardiopulmonar (RCP). Independentemente da presença de um ou mais socorristas, ela deve ser sincronizada em 30 compressões para 2 ventilações.
O pulso é checado a cada 2 minutos ou 5 ciclos. O tempo para avaliação é de 5 a 10 segundos.

Figura 7: Posicionamento correto do reanimador para as compressões torácicas.

Obs.: embora tenha sido demonstrado experimentalmente que a toracotomia com massagem direta no coração, aplicada precocemente, melhora a sobrevida, estudos clínicos não têm confirmado os mesmos benefícios quando esta técnica é aplicada após esforços com compressão torácica externa. Assim, não se justifica a adoção de tal técnica de reanimação, a não ser em algumas situações especiais, como:

      trauma torácico penetrante;
      hipotermia, tamponamento pericárdico, hemorragia abdominal;
      deformidade torácica;
      trauma penetrante de abdome;
      trauma fechado do tórax.

D – Desfibrilação

Considerado como parte integrante do suporte básico de vida, é o terceiro elo da chamada “cadeia de sobrevivência”.
Pode ser realizada com um desfibrilador manual (Figura 8A) – a operação e a interpretação do ritmo é feita pelo socorrista – ou com desfibrilador externo semiautomático (DEA) – a operação é orientada pelo aparelho, executada pelo operador e a interpretação é feita pelo aparelho (Figura 8B).

Figura 8: Desfibriladores. A – Manual. B – Automático.
  
       

A desfibrilação sempre está indicada na fibrilação ventricular e na taquicardia ventricular sem pulso, o mais precoce possível. Esse é o fundamento básico do ensinamento do ACLS, antes mesmo de se iniciar qualquer manobra de reanimação. Em outras situações, na ausência de desfibrilador/monitor, o ABC deve ser iniciado e mantido até que se faça o diagnóstico da causa da PCR.
De fácil operação, os DEA podem ser utilizados por profissionais não médicos, leigos e até por crianças. Essas características fazem com que sua presença seja importante em locais de grande concentração de pessoas, como estádios, shoppings e até hospitais, onde, por exemplo, não se pode ter um carrinho de parada e um médico de plantão em cada andar ou em cada unidade.
Cada DEA é preparado com uma tecnologia de onda elétrica diferente, de acordo com o seu fabricante, em geral são de ondas bifásicas de alta energia. Possuem também padrões diferentes de energia utilizada, fixa ou escalonada. Para sua operação, basta seguir as instruções (vocalizadas) dadas pelo próprio aparelho.
Mais conhecidos, os desfibriladores manuais necessitam de uma pessoa treinada para a sua operação e, no Brasil, essa pessoa deve ser um médico. Isso pode dificultar ou atrasar a desfibrilação da vítima em PCR, enfraquecendo a corrente de sobrevivência.
A tecnologia de onda elétrica dos desfibriladores manuais também pode ser monofásica ou bifásica, mas quem seleciona a carga a ser utilizada, após interpretação do ritmo, é o operador.
Outros fatores que podem influenciar no sucesso da desfibrilação são: energia administrada, tamanho das pás (para adulto, 8 a 12 cm de diâmetro; para criança, 4,5 cm), tamanho do tórax do paciente, condições do miocárdio, distúrbios de pH e eletrolíticos, de oxigenação e tempo de fibrilação.

SUPORTE AVANÇADO DE VIDA

O suporte avançado de vida (SAV) consiste no ABCD secundário, que ocorre na sequência do suporte básico de vida (SBV). Nele, utilizam-se equipamentos adequados para maior oxigenação e ventilação, associados ao uso de medicamentos e à busca do diagnóstico.

Estabelecer Via Aérea Definitiva

A ventilação boca-a-boca oferece uma concentração de oxigênio de 17%. A utilização do sistema bolsa-válvula-máscara, adequada ao tamanho do paciente e ligada a uma fonte de oxigênio com 10 L/min, permite obter uma concentração de 100% de O2 (quando bem adaptada ao rosto do paciente, para evitar vazamentos). Quando tecnicamente bem realizado, esse procedimento possibilita uma boa e muito efetiva ventilação.
Seu maior inconveniente é a distensão gástrica, o que dificulta a expansibilidade do diafragma, diminuindo o volume corrente e facilitando a aspiração do conteúdo gástrico.
Deve-se, então, proceder à entubação oro ou nasotraqueal, a qual permite, além de uma adequada ventilação e proteção das vias aéreas, a administração de alguns dos medicamentos mais utilizados em uma PCR.

Entubação Traqueal

A entubação traqueal deve ser realizada o mais rápido possível, por pessoa experiente. Cada tentativa não pode exceder 30 segundos.
A técnica de entubação consiste em introduzir, dentro da traqueia, um tubo de tamanho adequado ao corpo do paciente.
Com o laringoscópio previamente testado e seguro pela mão esquerda do operador, introduz-se a lâmina até a valécula, tracionando para cima e para frente. Com a glote aberta e visualizando as cordas vocais, pode-se introduzir na traqueia, com a outra mão, a sonda com ocuff previamente testado (Figura 9).

Figura 9: Posição do laringoscópio na entubação orotraqueal.
 

Vantagens da Entubação Traqueal

      Isola a via respiratória, prevenindo a aspiração de conteúdo gástrico;
      permite a ventilação com pressões menos elevadas e sem necessidade de sincronismo, evitando o risco de barotraumas e de distensão gástrica;
      funciona como via de acesso alternativa para a administração de medicamentos.

Obs.: o combitubo e a máscara laríngea podem ser utilizados em situações nas quais não se consegue realizar entubação orotraqueal.

Ventilação

Logo após a entubação, deve-se testar a posição do tubo dentro da traqueia. Inicia-se a ausculta pelo epigástrio, segue-se ao pulmão esquerdo e depois o direito. Estando em posição correta, insuflar o cuff e fixar a sonda com muito cuidado. Não usar ventilador mecânico durante as manobras de reanimação.
Realizar uma ventilação a cada 5 a 6 segundos – cerca de 10 a 12 por minuto. As ventilações serão assíncronas com as compressões torácicas. Deve-se evitar hiperventilação e oferta de grande volume (> 500 mL), o que pode ser prejudicial devido ao aumento da pressão intratorácica e consequente diminuição do retorno venoso.

Circulação (Acesso Venoso e Monitoração)

A monitoração deve ser feita inicialmente com as duas pás do desfibrilador, o que permite a desfibrilação imediata.
Imediatamente após este momento e com o equipamento apropriado, procede-se à monitoração do ritmo cardíaco, seguindo-se a orientação do fabricante do monitor utilizado.
Por meio da monitoração, pode-se identificar a modalidade elétrica da PCR. Essa diferenciação implica condutas ligeiramente diferentes (Algoritmos 1 e 2), sobretudo no item D do ABCD, seja primário ou secundário.
Se o paciente não dispuser de um acesso venoso previamente à PCR, deve-se obter rapidamente esse acesso, de preferência periférico e nos membros superiores (veia antecubital).
Em situações em que não se consegue acesso venoso periférico, as outras vias serão, na seguinte ordem: intraóssea, acesso central e tubo traqueal. Lembrar que as únicas medicações que podem ser utilizadas pelo tubo são naloxona, adrenalina, lidocaína e atropina. Nessa situação, deve-se utilizar o dobro da dose preconizada no uso IV. Sempre lavar o tubo com 10 mL de solução salina para ajudar a difundir mais o medicamento.

Algoritmo 1: Fibrilação ventricular/taquicardia ventricular sem pulso.

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MODALIDADES ELÉTRICAS DA PCR

Fibrilação Ventricular (FV)

Nesta arritmia, o traçado eletrocardiográfico apresenta-se ondulante, assimétrico e de amplitude variável. Deve-se ter o cuidado de não confundir interferência elétrica com fibrilação ventricular. A constatação de fibrilação ventricular prioriza a desfibrilação antes de qualquer outra conduta (Figura 10):

·     o tratamento é a desfibrilação elétrica;
·     para ser eficaz, a desfibrilação deve ser feita em menos de 6 minutos;
·     a chegada rápida de um desfibrilador é o fator que determina a sobrevida;
·     a RCP deve ser feita de imediato até a desfibrilação, para manter a viabilidade cerebral e cardíaca;
·     realizar compressões antes da desfibrilação se ocorrer demora por mais de 4 a 5 minutos.

Figura 10: Traçado de uma FV.

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Taquicardia Ventricular sem Pulso (TV)

Ritmo taquicárdico com complexos QRS alargados e aberrantes, mas com morfologia e frequência regulares (Figura 11).

Figura 11: Traçado de uma TV.

Assistolia

Ausência total de atividade elétrica do coração. Não pode ser confundida com desconexão de um eletrodo ou ondas fibrilatórias finas perpendiculares à linha que une dois eletrodos.

Atividade Elétrica sem Pulso

Nesta situação, embora não se detectem pulsos, encontra-se no monitor uma atividade elétrica organizada, geralmente com complexos largos e bizarros. Apesar do mau prognóstico, algumas causas (hipoxemia, hipovolemia severa, pneumotórax hipertensivo, tamponamento cardíaco, hipotermia, embolia pulmonar, hipercalemia, intoxicação por medicamentos — tricíclicos, digitálicos, betabloqueadores, bloqueadores de canal de cálcio e vagotonismo), quando corrigidas, podem tornar o quadro reversível.

Algoritmo 2: Assitolia e AESP.

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Medicamentos e Diagnóstico Diferencial

O diagnóstico da mais provável causa da PCR é fundamental para uma RCP mais eficaz, já que algumas delas podem ser facilmente revertidas. Após a administração de um medicamento, deve-se sempre proceder à infusão de 20 mL de solução salina seguida da elevação do braço por cerca de 3 segundos. Essa medida visa facilitar a chegada do medicamento ao coração, evitando que sua ação se perca ainda nos vasos periféricos.

MEDICAMENTOS UTILIZADOS NA PCR

Junto com as manobras de RCP, os medicamentos favorecem o restabelecimento da circulação espontânea (RCE), e também contribuem para a regularização do ritmo cardíaco, sendo utilizados para a manutenção de um funcionamento satisfatório do sistema cardiorrespiratório.

Adrenalina

Utilizada em todos os casos de PCR. Seu efeito vasoconstritor periférico intenso aumenta a pressão na aorta, melhorando o fluxo coronariano e cerebral.
A dose recomendada é de 1 mg IV repetida a cada 3 ou 5 minutos. Doses maiores (5 mg ou 0,1 mg/kg) podem ser ministradas.
Não administrar juntamente com soluções alcalinas. Lembrar que, se a infusão IV não for possível, utilizar o dobro das doses por via endotraqueal, seguida de um bolus de 10 mL de solução salina.

Vasopressina

Outro potente vasoconstritor, tão eficaz quanto a adrenalina e com menos efeitos negativos para o coração. Tem uma duração mais longa (10 a 20 minutos). Além da via IV, pode ser administrada por via intraóssea na dose de 40 UI.

Atropina

Pelo seu efeito de bloqueio vagal, é utilizada nas bradicardias acentuadas e nos bloqueios atrioventriculares (BAV). Também é utilizada na assistolia e na atividade elétrica sem pulso.
A dose recomendada é de 1 mg IV em intervalos de 3 a 5 minutos. Deve-se evitar dose total maior que 0,04 mg/kg. Também pode ser administrada pela sonda endotraqueal da mesma forma que a adrenalina.

Amiodarona

Está indicada numa série de arritmias, tanto ventriculares como supraventriculares. Deve-se ter cuidado, pois pode levar à hipotensão e a outras arritmias.
Na PCR, a dose é de 300 mg IV em bolus, seguida, se necessário, de outra dose de 150 mg após 3 a 5 minutos. Nas arritmias, uma infusão rápida de 150 mg em 10 minutos pode ser repetida a cada 10 minutos, ou uma infusão lenta de 360 mg em 6 horas.
A dose máxima nas 24 horas é de 2,2 g. Recomenda-se uma infusão de manutenção na dose de 1 mg/min nas 18 horas seguintes e, após, 0,5 mg/min em 6 horas.

Lidocaína

Aumenta o limiar de FV e de excitabilidade dos ventrículos. Está indicada nos casos de FV/TV sem pulso que não respondem ao choque elétrico ou ainda em outras taquicardias, como a taquicardia ventricular com pulso.
A dose recomendada é de 1 a 1,5 mg/kg IV em bolus, podendo ser repetida a cada 5 ou 10 minutos, num total de até 3 mg/kg. Uma dose de manutenção (2 a 4 mg/min) é sempre necessária após a reversão de uma FV/TV.
Os efeitos colaterais, principalmente em idosos, são: vertigem, bradicardia, BAV e assistolia.

Sais de Cálcio

Utilizados apenas quando ocorre hipocalcemia, hipercalemia ou hipermagnesemia, ou na intoxicação por bloqueadores dos canais de cálcio.
A dose de gluconato de cálcio a 10% é de 5 a 10 mL/EV lentamente ou cloreto de cálcio a 10%, 2,5 a 5 mL/EV, repetindo-se a dose a cada 10 minutos, se necessário.

Magnésio (Sulfato de Magnésio)

A sua deficiência está associada a arritmias cardíacas, sintomas de ICC e morte súbita. Sua correção deve ser realizada em pacientes com FV ou TV refratárias e recorrentes.
A dose utilizada é de 1 a 2 g diluídos em 100 mL de SG 5% e administrado em até 60 minutos. Pode ser feito em bolus na PCR em casos de FV/TV refratária aos choques e aos outros antiarrítmicos.

Bicarbonato de Sódio

Não há indicação formal para o seu uso em PCR. Pelo contrário, efeitos colaterais têm sido apontados com o uso dessa substância. Como, durante a PCR, a acidose é lática e dependente da ausência de ventilação, o restabelecimento desta costuma ser suficiente para corrigir o equilíbrio ácido-básico.
Em algumas situações causadoras da PCR – acidose metabólica, hipercalemia, intoxicação exógena por tricíclicos e, ainda, quando não se obtêm sucesso na reanimação com desfibrilação e intervenções farmacológicas, na assistolia e atividade elétrica sem pulso –, seu uso está indicado na dose de 1 mEq/kg a cada 10 minutos, sempre guiado pela gasometria arterial.

Observações

1.   Medicamentos como noradrenalina, dopamina ou dobutamina são utilizadas logo após a reanimação visando manter as condições hemodinâmicas do paciente.
2.   A reposição volêmica rápida está indicada em situações em que a PCR for desencadeada por trauma, grandes hemorragias ou perdas volêmicas evidentes.

CUIDADOS PÓS-REANIMAÇÃO CARDIOPULMONAR (PÓS-RCP)

Com o sucesso das manobras de reanimação, ainda no local da PCR, todo cuidado deve ser tomado no sentido de vigiar o paciente, prevenindo-se, por exemplo, a recorrência imediata de fibrilação ventricular secundária a hipóxia, hipotensão ou ação de medicamentos que estão sendo utilizados no momento. Algumas medidas devem ser tomadas para estabilizar o paciente antes de encaminhá-lo a uma Unidade de Tratamento Intensivo.
As medidas gerais pós-RCP incluem:

1.       Exame clínico completo: sinais vitais, condições de perfusão de extremidades, ausculta pulmonar, nível de consciência etc.
2.       Monitoração cardíaca contínua e ECG completo: comparar com traçados anteriores.
3.       Acesso venoso: caso o obtido durante a RCP seja precário, deve-se obter, com toda técnica, uma veia central com intracath ou dissecção.
4.       Outros procedimentos invasivos que tenham sido realizados de forma apressada podem, agora, ser reavaliados e, se necessário, substituídos: cânula endotraqueal, cabo do marca-passo etc.
5.       Radiografia do tórax: útil na visualização da cânula e do cateter central, para detecção de eventual pneumotórax ou ainda para avaliação das condições do parênquima pulmonar.
6.       Exames laboratoriais para avaliação do paciente pós-RCP ou para eventual diagnóstico da condição prévia que levou à PCR.
7.       Medicamentos para manutenção das condições hemodinâmicas do paciente podem ser utilizados neste momento: a dopamina na dose de 5 a 15 mcg/kg/min, a dobutamina na dose de 5 a 15 mcg/kg/min ou a noradrenalina (que possui potente efeito vasoconstritor) na dose de 0,03 mcg/kg/min.

TRANSPORTE DO PACIENTE

O médico que está coordenando o atendimento à PCR decide o momento do transporte, levando em conta as informações e as opiniões de enfermeiros e fisioterapeutas presentes quanto à estabilização dos parâmetros vitais e de condições adequadas para o recebimento do paciente na UTI.
Deve-se incluir o planejamento logístico do transporte, como a disponibilidade do elevador, por exemplo. É necessária estrita vigilância durante o transporte para que não ocorram lamentáveis acidentes como extubação, obstrução da cânula, desconexão de equipos, infusão rápida de medicamentos vasoativos etc.

RESSUSCITAÇÃO CEREBRAL

A lesão cerebral após PCR é secundária aos seguintes mecanismos: espasmos de vasos cerebrais – que levam à hipoperfusão e consequente isquemia –, liberação de radicais livres ou ainda excesso de cálcio intracelular.
Algumas medidas terapêuticas têm sido propostas para reduzir o consumo de oxigênio pelo cérebro e preservar a função dos neurônios: bloqueadores de cálcio, queladores de radicais livres de oxigênio, anticoagulação, hipotermia, barbitúricos, soluções hiperosmóticas etc. Todas elas, no entanto, encontram-se ainda em experimentação e não há confirmação da sua eficiência clínica.
A manutenção da pressão de perfusão cerebral é a medida de maior importância para a preservação do SNC. Embora as compressões torácicas externas durante a RCP mantenham fluxo cerebral abaixo do normal, este é suficiente para restaurar as funções dos neurônios, recuperando os estoques de fosfato de alta energia. Não há, no momento, nenhuma medida farmacológica específica para a preservação do SNC.
Assim, o cuidado intensivo orientado para o cérebro constitui-se num grupo de medidas, resumidas a seguir, que aumentam a possibilidade de recuperação cerebral:

      início rápido e adequado do SBV e do SAV;
      uso do desfibrilador por leigos;
      uso adequado dos medicamentos durante a RCP;
      uso da massagem cardíaca interna, quando indicada;
      estimulação de curtos períodos de hipertensão na recuperação dos batimentos cardíacos. Em seguida, manutenção de níveis normais ou discretamente elevados da PA;
      manutenção da normotermia ou discreta hipotermia;
      elevação da cabeça a 30°;
      pO2 arterial > 100 torr e pCO2 < 35 torr;
      pH arterial entre 7,30 e 7,60;
      sedação e imobilização; se necessário, uso de curarização;
      ventilação controlada;
      reposição volêmica com solução salina (10 mL/kg);
      evitar tosse e aspiração traqueal prolongada;
      níveis de glicemia entre 100 e 200 mg/dL;
      manutenção de hematócrito entre 30 e 35%;
      suporte nutricional.

BIBLIOGRAFIA

1.   American Heart Association guidelines for cardiopulmonary resuscitation and emergency cardiovascular care. Circulation. 2005;112(24) supplement.
2.   Field JM. Advanced cardiovascular life support – provider manual. American Heart Association; 2006.
3.   Sayre MR, Berg RA, Cave DM, et al. Hands only (compression-only) cardiopulmonary resuscitation: a call to action for bystander response to adults who experience out-of-hospital sudden cardiac arrest. A science advisory for the public from the American Heart Association Emergency Cardiovascular Care Committee. Circulation. 2008;117.
4.   Timerman S, Gonzalez MMC, Quilici AP. Guia prático para o ACLS. Barueri: Manole; 2008.

PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA

 
ASSISTÊNCIA AO PACIENTE EM SITUAÇÃO DE PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA

RESUMO


Trata-se de uma revisão bibliográfica acerca da assistência ao paciente em situação de parada cardiorrespiratória. Foram compilados conhecimentos técnico-científicos após leitura minuciosa de livros-texto e artigos científicos publicados em periódicos, da área de Cardiologia.

Os aspectos relacionados aos recursos humanos e materiais, com descrição detalhada foram realizados na composição deste trabalho. Neste momento optou-se por este tipo de estudo monográfico, pois a produção nessa temática e no idioma português, é ainda bastante limitada.

Identificou-se a utilização do termo ressuscitação cardiopulmonar (RCP) como o mais freqüente e 2 tipos de atendimento ao paciente, RCP básico e Suporte Avançado.

Palavras-chave:
 Parada cardiorrespiratória. Assistência. Enfermagem.

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO


1. DEFINIÇÕES DA RESSUSCITAÇÃO CARDIORRESPIRATÓRIA
2. ASSISTÊNCIA AO PACIENTE EM SITUAÇÃO DE PARADA CARDIOPULMONAR
3. MEDICAMENTOS
4. ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

INTRODUÇÃO


O tema de Ressuscitação Cardiorrespiratória nasceu pelo interesse de conhecer e aprofundar os meus conhecimentos técnico-científicos, em como agir em situações estressantes de Urgência/ Emergência.

Os profissionais de saúde que trabalham no atendimento de situações de urgência devem ter habilidades e capacidades técnicas para atuar prontamente, um vasto conhecimento sobre as ações das drogas administradas, e mesmo sobre os procedimentos; as diversidades de ações diante de uma intercorrência, e manter atitude profissional e tranqüilidade numa situação difícil é decisivo para socorrer pessoas acidentadas.

1. DEFINIÇÕES DA RESSUSCITAÇÃO CARDIORRESPIRATORIA

Embora a ressuscitação cardiorrespiratória (RCP) corresponda ao conjunto de medidas realizadas com a finalidade em promover a circulação de sangue oxigenado ao coração, cérebro e outros órgãos vitais, até que as funções cardíacas e ventilatória espontâneas sejam restabelecidas.

A taxa de sobrevivência com alta hospitalar variam de 3% a 20%. Enfrentamos problemas, pois, mesmo no melhor sistema ou hospital, os socorristas, que são treinados para salvar vidas têm insucesso e falham em realizar sua tarefa, em 4 de cada 5 tentativas.

“A RCP objetiva preservar a vida, restaurar a saúde, aliviar o sofrimento e minimizar as seqüelas. Podemos, ainda, dizer que um objetivo adicional da RCP é a reversão da” morte clínica (AMERICAN HEART ASSOCIATION, 1997). Cabe ressaltar que neste momento faremos uma análise de conceitos acerca de ressuscitação cardiorrespiratória (RCP) e seus tipos.

Segundo TIMERMAN; SANTOS (1998) entende-se por socorro básico ou RCP básica o conjunto de procedimentos de emergência, que podem ser executados por profissionais de saúde ou por leigos treinados.

Este consiste no reconhecimento da obstrução das vias aéreas, do reconhecimento de sinais de Parada Cardiorrespiratória e aplicação da RCP por meio da seqüência: abertura das vias aéreas, respiração boca a boca e compressão torácica externa.

O Suporte Avançado de Vida (SAV) ou socorro especializado é o conjunto de medidas que devem ser realizadas por profissionais de saúde, imediatamente no momento da intercorrência, consiste na desfibrilação elétrica, intubação endotraqueal eadministração de medicações.

A taxa de sucesso e a alta hospitalar têm sido relacionadas diretamente com pacientes, que foram atendidos rapidamente, em que as manobras básicas de RCP foram instituídas em menos de 4 minutos e as manobras de SAV foram iniciadas nos primeiros 8 minutos desde o início de PCR.

Conceito de RCP: é a interrupção súbita da atividade mecânica útil e suficiente e da respiração”.

Passemos a examinar as diferentes denominações que a PCR recebe como: Ressuscitação Cardiopulmonar, Ressuscitação Cardiorrespiratória, Reanimação Cardiorrespiratória Cerebral; todas estão corretas e consagradas, entretanto, o termo RCP (Ressuscitação Cardiorrespiratória) é o mais utilizado, sendo adotado pelo Conselho Brasileiro de RCP.

Com o aprimoramento da assistência à saúde, com especialização das técnicas e o crescimento de situações de agravo à saúde, a enfermagem cada vez mais está envolvida nesse processo, com maior responsabilidade e envolvimento na resolução dos problemas dos pacientes.

As condutas devem ser tomadas imediatamente, não se admite indecisões, pois disso depende a vida dos pacientes. Por serem tantas informações sobre Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP) como técnicas, equipamentos, drogas e doses, que muitas vezes no momento da emergência, não sabemos ao certo como devemos agir.

A ressuscitação cardiopulmonar desafia os que atendem a esta situação emergencial, a tomarem decisões rapidamente com alta resolutividade, sob pressão e até mesmo em situações dramáticas.

Algumas providências são extremamente importantes como obtenção de acesso venoso, intubação orotraqueal, identificação do ritmo e administração da medicação prescrita.

Os socorristas devem reavaliar constantemente cada aspecto da tentativa de ressuscitação como a adequação da manutenção das vias aéreas; eficiência das ventilações; causa da PCR; definição do comprometimento do estado geral do paciente. É necessária constante avaliação e estar preparado em relação à evolução do paciente.

Assim, em qualquer lugar em que exerça sua atividade, o enfermeiro deve estar pronto sob todos os pontos de vista para atender uma RCP. Torna-se imprescindível que as técnicas relacionadas a RCP sejam padronizadas para se alcançar qualidade e eficiência no atendimento.

Além disso, o aperfeiçoamento e aprofundamento de conhecimentos científicos e o trabalho em equipe definem o sucesso da atividade.

A integração de esforços em uma equipe multiprofissional proporciona ao paciente uma qualidade de assistência da qual o papel do enfermeiro assume o papel de coordenador.

É função prioritária do enfermeiro prestar assistência de enfermagem ao paciente grave, com maior comprometimento, principalmente em situações de emergência.

Este papel do enfermeiro na RCP é muito mais abrangente que a simples assistência ao paciente, cabendo a este profissional a responsabilidade do provimento de materiais e treinamento da equipe.

Cabe a este profissional a orientação dos auxiliares e técnicos de enfermagem quanto ao reconhecimento precoce do problema e quais ações deverão ser tomadas.

Para tal, é preciso que profissionais de saúde envolvidos no atendimento aos pacientes façam ampla discussão e definam protocolos de atendimento de ressuscitação cardiopulmonar e estabeleça-se um canal aberto de comunicação sobre o assunto, sobretudo com familiares de pacientes que apresentam alto risco de PCR.

O trabalho do enfermeiro na ressuscitação cardiopulmonar perpassa por todas as fases de atendimento, inclusive antes na prevenção e identificação precoce de sinais e sintomas. A equipe de enfermagem coordenada pela enfermeira deve garantir condições adequadas de atendimento a situações críticas.

A previsão e provisão de necessidades e a garantia de funcionamento de materiais e equipamentos define as ações que serão realizadas durante e após um atendimento. É preciso assegurar os instrumentos básicos de trabalho e o treinamento da equipe em como utilizá-los para a obtenção de bons resultados.

A adequação de recursos materiais, humanos e treinamento continuado é função do enfermeiro, independente de sua especialidade ou unidade de trabalho em que esteja alocado para o atendimento de emergência.

A equipe de enfermagem deve ser organizada e dividida com definição de funções, de modo a escalar pelo menos três elementos de enfermagem e um enfermeiro.

O enfermeiro deve elaborar escala diária para atendimento de emergência que possam ocorrer durante seu plantão e considerar que o conhecimento prévio das atividades a serem realizadas otimiza o atendimento e diminui o estresse da equipe.

A Reestruturação ou organização da área física e a guarda dos equipamentos deve ser feita para que o acesso a esse material seja fácil.

O enfermeiro deve avaliar sua unidade quanto à presença de tomadas de energia elétrica, a disponibilidade de rede de oxigênio e vácuo, macas firmes e com travas, tábua de massagem, carro de emergência com desfibrilador, outros equipamentos e medicamentos para o atendimento de emergência, assim como, reposição de medicamentos necessária durante e após o atendimento.

O enfermeiro é responsável por elaborar uma rotina de checagem de materiais e equipamentos, datas de validade de medicamentos e de esterilização dos materiais, datas de manutenção preventiva, lacre do carro das parada, teste do desfibrilador, controle de estoque mínimo do material de ressuscitação e equipamentos de proteção individual.

O enfermeiro ocupa importante papel na equipe multiprofissional em todas asáreas de assistência. Entretanto, durante a RCP, sua atuação como líder, na tomada de decisão juntamente com a equipe de enfermagem, merece preparo técnico e educação continuada.

Espera-se do enfermeiro um controle de suas emoções durante o atendimento de um PCR, bem como na manutenção da harmonia e diminuição do estresse de sua equipe. Dessa forma, faz parte do seu treinamento impedir que a ansiedade interfira na sua capacidade de raciocínio.

A enfermeira do serviço de emergência, através da educação, treinamento e experiência, está habilitada para avaliar e identificar os problemas de assistência à saúde do paciente em situações de atendimento, de maior complexidade e de emergência.

Além disso, a enfermeira estabelece prioridades, avalia minuciosamente os pacientes, oferece suporte e apoio às famílias e supervisiona a equipe de saúde. As intervenções de enfermagem são executadas interdependentes, de acordo com a prescrição e o trabalho integrado com a equipe médica.

As prescrições de enfermagem e intervenções médicas adequadas são antecipadas com base nos dados do histórico.

As pessoas da equipe de saúde, que fazem atendimento emergencial atuam como um time, utilizando habilidades altamente técnicas e sensíveis, necessárias nos cuidados aos pacientes em situações de emergência.

Os pacientes atendidos numa emergência apresentam uma ampla variedade de problemas atuais ou potenciais. O estado do paciente pode alterar-se dinamicamente, e a coleta de dados e avaliação de enfermagem precisa ser contínua.

Assim, os diagnósticos da enfermagem devem ser atualizados conforme a condição e evolução do paciente. É essencial que todos os profissionais da equipe do serviço de emergência considerem todos os pacientes com o mesmo potencial e, portanto, necessita-se que empreguem as precauções-padrão universais no controle de infecções e minimizem a exposição.

2. ASSISTÊNCIA AO PACIENTE EM SITUAÇÃO DE PCR (PARADA CARDIOPULMONAR)


Será caracterizado um atendimento intra-hospitalar e o paciente não apresenta traumas.

 ABCD Primário

Avaliar a responsividade da pessoa: vá próximo da pessoa, fale alto e toque –a nos membros superiores, chamando a atenção da pessoa. Chame rápido por ajuda:

Toque a campainha do quarto solicitando ajuda.
A vítima deverá estar sobre uma superfície rígida.

A) Abrir as vias aéreas: Abra a boca e verifique se há presença de sangue, secreções, objetos estranhos e vômito. Caso haja alguma obstrução, faça a Manobra de Chin Lift ou Jaw Trust.

Remova o que obstrui com um pedaço de pano ou roupa, sempre virando o paciente de lado. Cuidado, pois, mesmo inconsciente a vítima pode te morder, então enrole um pano ou pedaço de roupa nas laterais da boca, antes de tentar retirar.

B) Avaliar ausência de respiração. O socorrista deve fazer a técnica de olhar, ver e sentir: posicione-se de tal maneira que você consiga quase tocar a boca com sua orelha e verificar o movimento do tórax, verificando a expansibilidade torácica.

Confirmada ausência de ar, inicie as ventilações: se disponível insira a cânula orofaríngea, caso contrário utilize uma máscara facial de bolso de preferência com uma válvula de via única.

Mantenha a posição elevada da cabeça e aplique duas ventilações durante 2 ou 4 segundos, dê um espaço de tempo de 1 a 2 segundos para a saída de ar (expiração). Classifique corretamente se esta ação esta sendo satisfatória, que o tórax esta tendo uma expansibilidade.

Caso contrário, tente novamente as manobras para que a cabeça continue inclinada e as ventilações. Caso resposta negativa confirma-se à obstrução das vias aéreas.

C) Confirmar ausência de pulso. Verifique a presença do pulso na artéria carótida, com duração de 5 a 10 segundos, pois o pulso pode estar difícil de detectar (rápido, fraco, lento, irregular).

“Neste ponto, o socorrista confirmou uma parada cardíaca” completa “. Frente a uma vítima que está inconsciente, não responsiva, sem respiração e sem pulso, o socorrista deve realizar compressões torácicas e ventilação artificial, imediatamente”.

Inicia-se a RCP, compressão torácica e ventilações. É uma atitude de absoluta responsabilidade e deve ser feita por pessoas capacitadas, para não trazer nenhum agravo à vida da vítima.

Como realizar um RCP manual: na região torácica – sob esterno e pessoa a 90º usa-se o peso do próprio corpo, 2 dedos acima apêndice xifóide, mãos – dedos para cima só a palma no esterno.

OBS: terço inferior do osso esterno, 4 a 5 cm de rebaixamento do esterno, sobre a coluna, 30 massagens para 2 ventilações (com 1ou 2 massagistas) checar pulso carotídeo a cada 4 ciclos, manter freqüência de 100 massagens por minuto.

D) Desfibrilar FV/ TV se identificadas. Esse aparelho deve chegar juntamente com a pessoa, que foi solicitada ajuda e que está capacitada para esta função.

OBS:
 Se o socorrista não identificar uma FV dentro dos 10 minutos de colapso, a atitude de tentar desfibrilar com sucesso aproxima-se do zero. Sendo assim, a agilidade de identificar, classificar e agir dentro do ABCD primário é muito importante.

 ABCD Secundário

A) Vias aéreas:
 Estabelecer uma troca de ar efetiva. Caso a intubação estiver sendo preparada, insira uma sonda nasal ou cânula nasogástrica e pressione a cartilagem cricóide para prevenir aspiração. A intubação endotraqueal deve ser realizada por pessoas competentes para a ação; um médico, que fornecerá um controle definitivo das vias aéreas.

B) Respiração: Verifique se há expansibilidade torácica. Obtenha a confirmação de várias formas se o tubo endotraqueal está posicionado corretamente como: radiografia ausculte a região epigástrica.

C) Circulação: O primeiro local para um acesso venoso é a fossa antecubital, soluções salinas são mais baratas, possuem maior durabilidade e expandem melhor o volume extravascular.

Na via endotraqueal podem ser administradas medicações como: epinefrina, lidocaína e atropina. Sempre com a equipe multidisciplinar, principalmente o médico.

A técnica é posicionar rapidamente um “cateter através de agulha” longo (35 cm) por dentro do tubo endotraqueal, pare com as compressões torácicas, injete 2 a 2,5 vezes a dose normal da medicação através do cateter, administre, a seguir, bolus de 10 ml de solução salina através do cateter, adapte, imediatamente, a bolsa de ventilação e ventile com força 3 a 4 vezes.

Se não houver um “cateter através de agulha” disponível, é possível usar um equipo de heparina com agulha de 20 – gauge através da parede do tubo endotraqueal para administrar e aerolizar medicações durante as ventilações, esteja preparado para administrar um bolus de 20 a 30 ml de fluido IV e elevar o braço após cada medicação IV. Isto irá apressar a chegada da medicação na circulação central.

Para tanto é imprescindível o conhecimento acerca das drogas, indicações, efeitos colaterais e vias de administração.

3. MEDICAMENTOS
Adrenalina/Epinefrina

A droga mais utilizada no tratamento da PCR. Seu efeito estimulante beta - adrenérgico provoca intensa vasoconstrição periférica (arterial e venosa), aumento da pressão aórtica e da perfusão coronária e, por conseqüência, melhora do automatismo do nó sinusial, cronotropismo e inotropismo cardíaco.

Existe também a possibilidade de a epinefrina transformar a fibrilação ventricular fina em grossa (maior amplitude), o que a torna mais sensível á desfibrilação.

Dose e Administração:
Na Parada Cardiorrespiratória

 1 mg EV a cada 3 a 5 minutos seguida de bolus de 20 ml de água destilada ou SF 0,9%.
 2 a 2,5 mg diluídos em 10 ml de SF 0,9% via endotraqueal a cada 3 a 5 minutos.

Observação: a epinefrina é incompatível com soluções alcalinas (bicarbonato de sódio). O uso de doses progressivas ou altas doses em bolus não está mais recomendado pela associação ao pior prognóstico neurológico, após a recuperação da circulação espontânea. Apresentação: ampolas 1ml – 1 mg.

 Amiodarona

Teve sua eficácia comprovada quando comparada ao placebo e á lidocaína em PCR por FV/ TV sem pulso, extra-hospitalares.

Provavelmente, sua recomendação como classe IIB será revisada nas próximas diretrizes. Pequenos estudos recentes demonstraram a eficácia e a segurança do uso não diluído da amiodarona em PCR.

Dose e Administração: Na Parada Cardiorrespiratória:

 300mg em bolus lento (30 segundos a 2 minutos), diluído em 20 a 50 ml de Sg 5% ou NaCl 0,9%; pode ser repetida (uma dose adicional) de 150 mg após 5 a 10 minutos, caso manutenção da FV/TV sem pulso.

Observação: durante infusão da dose de manutenção, deve ser utilizada a solução glicosada 5%, em frasco de vidro ou ecoflac, para evitar aderência da droga ao frasco”.

Apresentação: Ancoron, Miodaron, Atlansil: ampolas de 150 mg (3 ml), comprimidos 100 e 200 mg, frascos (gotas) com 30 ml (200mg/ dia)”.

Atropina

“Droga vagolítica indicada na bradicardia e assistolia. Na PCR, a dose mínima é de 1 mg IV; em doses baixas, existe ação parassimpatomimética inicial por estímulo vagal central.”

Dose e Administração: Na Parada Cardiorrespiratória:

 1 mg EV a cada 3 a 5 minutos seguida de bolus de 20 ml, de água destilada ou SF 0,9%. Não exceder a dose total de 0,03 a 0,04 mg/Kg.

 2 a 2,5 mg diluídos em 10 ml de SF 0,9% via endotraqueal á cada 3 a 5 minutos.

“Na Bradicardia Sintomática”.

 0,5 a 1 mg EV. Não exceder a dose total de 0,03 a 0,04 mg/ Kg.

Apresentação: Atropina: ampolas de 0,25 e 0,5 mg “.

Bicarbonato de Sódio

Na parada cardiorrespiratória, a hipoperfusão tissular e pulmonar associada á hipoventilação resulta em acúmulo de gás carbônico (acidose respiratória).

A conseqüente acidemia diminui o limiar da fibrilação, reduz a contratibilidade miocárdica, diminui a taxa de despolarização espontânea do sistema de condução, diminui a possibilidade de sucesso da desfibrilação e atenua a resposta agonista beta-adrenérgica.

A administração de bicarbonato pode levar á alcalemia rebote, á acidose liquórica paradoxal, a aumento da resistência vascular cerebral, a edema cerebral, á diminuição do limiar das arritmias, á hipocalemia, á hipóxia tecidual (desvio da curva de saturação da hemoglobina para a esquerda), á hipernatremia, á hipofosfatemia, á hiperosmolaridade (elevação plasmática de 6 mOsm/L para 50 mEq de bicarbonato reposto equivale a 500 ml de SF0,9%).

O bicarbonato de sódio é indicado em acidose metabólica grave (bicarbonato abaixa de 12 mEq/L ou pH abaixo de 7,1), hiperpotassemia em prolongada ressuscitação, com atendimento inadequado.

Nessas circunstâncias, a dose de bicarbonato pode ser empiricamente administrada na dose de 1 mEq/ Kg ou baseando-se no estudo gasométrico.

Dose e administração:

 mEq/Kg reposição empírica até a chegada da gasometria
 Peso x 0,3 x excesso de base = repor 1/3 a 1/2do total.
 (24- Bic encontrado) x Peso x 0,6.

Administração: Ampolas e Frascos: a 10%: 1,2 mEq/mL

 Ampolas e frascos 8,4%: 1 mEq/mL.”

Cálcio
“O cálcio é fundamental para contrabilidade miocárdica. Entretanto, pode suprimir a atividade sinusial, aumentar o vasoespasmo coronariano e afetar adversamente arritmias induzidas por digital”.

Dose e administração:

 10 a 20 ml de gluconato de cálcio a 10%.

Apresentação: Gluconato de cálcio 10%: ampolas de 10 ml contendo 1g de cálcio.

Lidocaína


A lidocaína diminui o automatismo (retardo da fase 4 ou despolarização espontânea), aumenta o limiar de fibrilação, inibe a reentrada.

Anteriormente, era droga de classe Iib para o tratamento de FV e TV sem pulso; pelas diretrizes de ressuscitação do ano 2000, tornou-se droga de classe Indeterminada, ainda passível de uso, porém sem o mesmo suporte de evidência da literatura.

Doses e Administração


Parada Cardiorrespiratória (FV/TV sem pulso)

 Dose inicial: 0,75 a 1,5 mg/ Kg EV seguida de bolus de 20 ml de água destilada ou SF 0,9%.

Caso VF/TV refratárias á primeira dose: 


 1 a 1,5 mg/Kg seguida de bolus de 20 ml de água destilada ou SF 0,9% a cada 3 a 5 minutos até total de 3 mg/Kg.

 Caso Administração Endotraqueal: 2 a 3 mg/Kg em dose única diluída em 10 ml de SF0,9%.

Após reversão da arritmia, a dose de manutenção é de 2 a 4 mg/ minuto (30 a 50 mg/Kg/minuto), na seguinte diluição: SG 5% 200ml adicionando 50 ml de Lidocaína 2% ( sem vasoconstritor): nesta diluição teremos:

 15 ml = 1mg/minuto
 30 ml = 2mg/minuto
 45 ml = 3 mg/minuto
 60 ml = 4 mg/ minuto

Taquicardia Ventricular ou de Complexo Alargado de Tipo Incerto:

 Dose inicial: 1 a 1,5 mg/Kg EV em bolus.

 Doses repetidas de 0,5 a 0,75 mg/ Kg a cada 5 a 10 minutos; máximo de 3 mg/Kg.

Apresentação: Xylocaína 2% - frasco de 20 ml (20 mg/ml)”.

Procainamida

 Doses e administração: PCR: FV /TV sem Pulso 20 a 50 mg/ minuto (máximo 17 mg/Kg)

• Dose de manutenção
 pós-reversão da arritmia (1 a 4 mg/ minuto).

Atenção aos critérios de suspensão da droga:


Supressão da arritmia
hipotensão
QRS alargado mais de 50% do inicial
Dose máxima de 17 mg/ Kg atingida.

Apresentação: Procamide frascos – 5 ml (500 mg)”.

Sulfato de Magnésio
 Dose e administração: Parada Cardiorrespiratória

 1 a 2 g EV em bolus diluídos em 10 ml SG 5%.

 Torsade de Pointes com pulso 1 a 2 g diluídos em 50 a 100 ml de SG 5% em período de 5 a 60 minutos.

 “Manutenção: 1 a 4 g/ h EV (controlar através de dosagem seriadas de magnésio sérico). Apresentação: Sulfato de Magnésio 10% - 10 ml.”

Vasopressina


Indicações: Recentemente demonstrou tendência á equivalência á adrenalina em PCR FV / TV e superioridade nas assistolias extra-hospitalar.

O racional para explicar este fato parece ser sua maior resistência a meios ácidos, comuns no pós – PCR, em relação á adrenalina.

  “Dose e Administração: 40 U EV em dose única após os três primeiros choques seguida de bolus de 20 ml de água destilada ou SF 0,9%.

Apresentação: Pitressin frascos 80 e 120 U.''

4. ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM

Segundo Guimarães, o atendimento da RCP deve transcorrer em um ambiente tranqüilo, sem tumulto, de modo que todos possam ouvir o comando do líder com clareza. Não há justificativas nem desculpas para um atendimento desorganizado, tumultuado e desrespeitoso entre a equipe.

“A postura ética e moral e o seguimento das leis do exercício profissional devem permear todas as ações de enfermagem durante o atendimento de emergência”.

De acordo com Guimarães, a equipe de enfermagem deve estar pronta para o formato de atendimento por fases que consistem em sete etapas: antecipação, entrada, ressuscitação, manutenção, notificação da família, transferência e avaliação crítica.

A fase da antecipação acontece antes da ocorrência da PCR e é fundamental para o bom encaminhamento das ações durante o atendimento. Nesta etapa, analisam-se os dados iniciais, reúne-se a equipe, determina-se o líder, delineia-se as responsabilidades, os equipamentos são preparados e checados e ocorre o posicionamento da cada membro da equipe.

Na fase da entrada, o primeiro membro da equipe a checar responsabiliza-se pelo posicionamento da vítima no leito em decúbito dorsal horizontal e início do ABCD primário, acionando a equipe e o carro de emergência, priorizando a chegada do desfibrilador.

“Assim que o líder chegar à cena do atendimento, deve apresentar-se à equipe e imediatamente avaliar o paciente, assumindo o comando do atendimento”.

“Na fase da ressuscitação propriamente dita, os elementos da equipe devem posicionar-se e iniciarem imediatamente as ações”.

“A divisão da equipe de enfermagem e suas atribuições é prerrogativa de enfermeiro e deve ser realizada respeitando-se a disponibilidade de recursos humanos da unidade”.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O conhecimento que adquiri realizando a monografia sobre o tema assistência ao paciente em situação de RCP foi muito importante.

Os conhecimentos técnicocientíficos, com base na bibliografia pertinente identificam condutas para obtenção de um atendimento com sucesso.

As principais diretrizes para realizar com sucesso um atendimento de urgência/emergência são: o treinamento de pessoas leigas, a nível extra-hospitalar, e a nível intra-hospitalar, e o treinamento de profissionais de enfermagem para o reconhecimento precoce de sinais e sintomas de PCR, com uso adequado de precauções-padrão.

O conhecimento técnico - científico atualizado de toda a equipe de saúde, bem como a previsão e provisão de recursos materiais possibilitam a intervenção com agilidade e precisão, o que determina o sucesso de um atendimento.

A pesquisa científica, em relação a esse tema, ainda é pouco explorada, sendo necessário que, no futuro haja um maior investimento pelos enfermeiros assistenciais e da academia.

Realmente é um tema que os profissionais de saúde conhecem, mas existem muitas lacunas e pesquisas a serem realizadas. Sabemos que atualmente, os profissionais de saúde extra-hospitalar têm conhecimento e familiarização com a situação RCP melhor do que no ambiente intrahospitalar.

Os profissionais precisam estar mais preparados para situações de estresse e decisões rápidas. Um atendimento organizado, com distribuição de funções e análise sobre os pontos negativos de um atendimento de RCP estressante, alivia e estimula a equipe para que, no próximo atendimento ofereçam um melhor desempenho positivo.

O enfermeiro é o elemento principal no atendimento de uma RCP, ele necessita manter-se informado e treinado, obtendo sucesso e entrosamento entre a equipe.

A educação continuada traz ao enfermeiro uma segurança maior no atendimento, com aprofundamento do seu conhecimento, o que propicia satisfação profissional e qualidade no atendimento ao paciente em situação de PCR.


sábado, 1 de outubro de 2011

Instruções para Coleta


Instruções para Coleta


Água (Exame bacteriológico da água)
• Higienizar a torneira;
• Regular um jato médio;
• Deixar a água correr por, pelo menos, 3 minutos;
• Abrir frasco estéril sem tocar na parte interna. O frasco só deverá ser aberto na hora da coleta;
• Completar o frasco com água, sem transbordar;
• Fechar bem o frasco e levar imediatamente ao laboratório.

Escarro
• A coleta deve ser feita ao acordar, pela manhã, e antes de se alimentar;
• Fazer higiene oral por bochechos e gargarejos com solução fisiológica estéril;
• Coletar o escarro por expectoração, de modo que o material venha do “peito” e não da garganta, diretamente no frasco fornecido pelo laboratório;
• Levar imediatamente ao laboratório (não refrigerar)

Esperma
• Fazer abstinência sexual por 3 dias (somente para espermograma);
• Lavar a mão e o pênis antes da coleta;
• Coletar, por masturbação, todo o volume ejaculado diretamente no frasco fornecido pelo laboratório;
• Anotar a hora da coleta;
• Fechar bem o frasco;
• Levar imediatamente ao laboratório (em no máximo 20 minutos), das 7h às 11hs;
• Caso tenha feito vasectomia não necessita abstinência.

Fezes (Exame parasitológico de fezes)
• Coletar as fezes diretamente no frasco fornecido pelo laboratório, ou bacia ou comadre, previamente limpa e seca, para coletar as fezes no momento da evacuação. É importante que se evite a contaminação com urina, água ou outro elemento.
• Não contamine externamente o recipiente e não o preencha até a borda.
• Leve imediatamente a amostra ao laboratório. Se a coleta tiver sido feita à noite, guarde o material na geladeira (não congelar).
• OBSERVAÇÕES:
- É contra indicado o uso de laxantes.
- Em caso de crianças, as fezes podem ser recolhidas das fraldas logo após a evacuação.
- Para a coleta de 3 amostras: coletar em dias alternados (por ex.: segunda, quarta e sexta).

Fezes (Pesquisa de sangue oculto)
• Coletar as fezes no momento da evacuação diretamente no frasco fornecido pelo laboratório, ou bacia ou comadre, previamente limpa e seca. É importante que se evite a contaminação com urina, água ou outro elemento.
• Não contamine externamente o recipiente e não o preencha até a borda.
• Leve imediatamente a amostra ao laboratório. Se a coleta tiver sido feita à noite, guarde o material na geladeira (não congelar).
• Amostras não devem ser colhidas durante ou após 3 dias do período menstrual ou se o paciente estiver apresentando sangramento hemorroidal.
• Álcool, medicamentos contendo ácido acetilsalicílico (Aspirina, AAS, Buferin, Doril, Somalgin e outros) podem causar irritação gastro intestinal e devem ser suspensas 48 horas antes da coleta.
• OBSERVAÇÃO:
- É contra indicado o uso de laxantes.

Pesquisa de oxiurus
• PREPARO: Este exame deve ser feito pela manhã ao despertar. Não deve ser usado nenhum medicamento local nem feito a higiene ou limpeza local antes da coleta.
• MATERIAL: Duas lâminas, tubo de vidro (fornecidos pelo laboratório), fita durex transparente.
• COLETA:
- Colocar a fita durex sobre a parte externa do fundo do tubo, deixando a parte colante livre;
- Levar a fita até a região perianal e fazer pressão em diversos lados;
- Colocar a fita sobre a lâmina, tendo o cuidado de deixá-la lisa, sem rugas;
- Repetir a operação com a segunda lâmina;
- Envolver as lâminas em uma folha de papel e levar ao laboratório;
- Evitar atrito com outros objetos para não quebrar ou deslocar a fita da lâmina.

Sangue
• A coleta de sangue é realizada no laboratório.
• É recomendável jejum de 4 horas para todos os exames de sangue, exceto os listados abaixo (ou os exames de sangue solicitados com urgência pelo médico):
- Ácido úrico, amilase, cálcio, fósforo, fosfatases, gama GT, HGH, glicemia de jejum, curva glicêmica, ferro sérico, capacidade de ligação, paratormônio, transferrina, VDRL, teste de tolerância à glicose, creatinina, PSA e TSH: 8 a 12 horas de jejum.
- Colesterol total, colesterol HDL, colesterol LDL, perfil lipídico, triglicerídeos: 12 a 14 horas de jejum.
- Beta-HCG (gravidez) e hemograma: É dispensável jejum.
• OBSERVAÇÃO:
- Não é recomendável fazer jejum prolongado (acima de 14 horas), pois isso pode alterar resultados de exames.

Urina de 12 horas
• Ao iniciar a coleta, despreze toda a urina retida e marque a hora (ex.: 7h00);
• Daí por diante, coletar integralmente todas as micções durante 12 horas (ex. até às 19h00, inclusive), esvaziando bem a bexiga nessa hora;
• Todo o volume recolhido, sem perder micção alguma, deve ser conservado em geladeira e entregue ao laboratório. A urina não pode ser congelada.

Urina de 24 horas
• Desprezar a primeira a urina da manhã e marcar a hora;
• Daí por diante, colher integralmente todas as micções durante o dia e a noite até completar 24 horas. Isso inclui a primeira urina do dia seguinte (mesmo horário da primeira urina do dia anterior);
• Todo o volume recolhido, sem perder micção alguma, deve ser conservado em geladeira e entregue ao laboratório imediatamente após o final da última coleta. A urina não pode ser congelada.

Urina jato médio (EQU/urocultura)
• Coletar preferencialmente a primeira urina da manhã;
• Fazer a higiene da região genital com água e sabão;
• Abrir o frasco fornecido pelo Laboratório apenas na hora da coleta, sem tocar na parte interna do frasco;
• Desprezar a parte inicial da urina;
• Colher a porção média da micção diretamente no frasco;
• Tampar o frasco imediatamente, cuidando para que este fique bem fechado;
• Levar a urina coletada imediatamente ao laboratório.

Condiloma - (crista de galo, figueira, ou cavalo de crista)


que é:
            O Condiloma é a Doença Sexualmente Transmissível que provoca a maior parte dos casos de câncer de colo de útero. As pessoas que se contaminam pela doença, tem que ter um acomanhamento ginecológico semestral, pois o vírus causador, HPV, não sai do sangue e, de tempos em tempo, pode provocar verrugas que devem ser cauterizadas. A doença é transmitida principalmente quando está manifestada. 
Como é Transmitida:  
  • relação sexual (contato com órgãos sexuais ou a secreção vaginal ou sêmen na relação vaginal, oral ou anal);
  • A casos raros de contaminação por objetos de uso íntimo.

Como se Previnir :
  • usando camisinha masculina ou feminina nas relações sexuais vaginais e orais  
  • usando camisinha masculina ou feminina e lubrificantes a base de água (KY, Preserv Gel) nas relações sexuais anais
  • Também é bom realizar sempre o Auto-Exame, observado os próprios órgãos genitais, vendo se a cor, aparência, cheiro e pele estão saudáveis.
Auto-Exame da MulherAuto-Exame do Homem

           
O que Ocorre Após a Infecção - Sintomas:
A mulher apresenta verrugas na região genital, ânus ou boca. Essas verrugas podem se desenvolver causando câncer de útero.O homem pode apresentar verrugas no pênis, principalmente na glande, mas também no saco escrotal. O uso de camisinha NÃO previne das feridas localizadas no saco e virilha.

 Tratamento:
            Todas as pessoas com DST devem procurar um médico para evitar o desenvolvimento e agravamento da doença. Cada DST tem um medicamento específico, por isso não se deve buscar remédios com amigos ou em farmácias. Apenas o médico tem condições de dizer o tipo de DST, já que existem muitas com sintomas parecidos.
       
 IMPORTANTE:
Todas as pessoas com DST devem evitar manter relações sexuais durante o tratamento para facilitar a cura e evitar a contaminação de parceiros, caso não seja possível, é fundamental usar a camisinha.

Planejamento familiar


No Brasil, planejamento familiar é privilégio exclusivo dos bem-aventurados. Sem mencionar números, vou resumir o atoleiro ideológico em que estamos metidos nessa área.
Até a metade do século XX, poucas famílias brasileiras
deixavam de ter cinco ou seis filhos. Havia uma lógica razoável
por trás de natalidade tão altas:Planejamento familiar
1) A maioria da população vivia no campo, numa época de agricultura primitiva em que as crianças
pegavam no cabo da enxada já aos sete anos. Quantos mais braços disponíveis houvesse na família, maior a probabilidade de sobrevivência.
2) Convivíamos com taxas de mortalidade infantil
inaceitáveis para os padrões atuais. Ter perdido dois ou três filhos era rotina na vida das mulheres com mais de trinta anos.
3) Além da cirurgia e dos preservativos de barreira, não existiam recursos médicos para evitar a concepção. Na década de 1960, quando as pílulas anticoncepcionais surgiram no mercado e a migração do campo para a cidade tomou vulto, uma esdrúxula associação de forças se opôs terminante ao planejamento familiar no país: os militares, os comunistas e a igreja católica.
Os militares no poder eram contrários, por julgarem defender
a soberania nacional: num país de dimensões continentais, quanto mais crianças nascessem, mais rapidamente seriam ocupados
os espaços disponíveis no Centro-Oeste e na Floresta Amazônica.
Os comunistas e a esquerda simpatizante, por defenderem que o aumento populacional acelerado aprofundaria as contradições do
capitalismo e encurtaria caminho para a instalação da ditadura do proletariado. A igreja, por considerar antinatural – portanto, contra a vontade de Deus – o emprego de métodos contraceptivos.
O resultado dessas ideologias não poderia ter sido mais desastroso:
em 1970, éramos 90 milhões; hoje, temos o dobro da população,
parte expressiva da qual aglomerada em favelas e na periferia das cidades. Suécia, Noruega e Canadá conseguiriam oferecer os mesmos níveis de atendimento médico, de educação e de salários para os aposentados, caso tivessem duplicado seus habitantes nos últimos trinta anos?
O que mais assusta, entretanto, não é havermos chegado à situação dramática em que nos encontramos; é não adotarmos medidas para remediá-la. Pior, é ver não apenas os religiosos, mas setores da intelectualidade considerarem politicamente incorreta qualquer tentativa de estender às classes mais desfavorecidas o acesso aos métodos de contracepção fartamente disponíveis a quem pode
pagar por eles.
É preciso dizer que as taxas médias de natalidade brasileiras
têm caído gradativamente nos últimos cinquenta anos, mas não há necessidade de consultar os números do IBGE para constatarmos que a queda foi muito mais acentuada nas classes média e alta: basta ver a fila de adolescentes grávidas à espera de atendimento nos hospitais públicos ou o número de crianças pequenas nos bairros mais pobres.
Outra justificativa para a falta de políticas públicas destinadas a universalizar o direito ao planejamento familiar no País é a da má distribuição de renda: o problema não estaria no número de filhos, mas na falta de dinheiro para criá-los, argumentam.
De fato, se nossa renda per capita fosse a dos canadenses, a situação
seria outra; aliás, talvez tivéssemos que organizar campanhas para estimular a natalidade. O problema é justamente porque somos um país cheio de gente pobre, e educar filhos custa caro. Como dar escola, merenda, postos de saúde, remédios, cesta básica, habitação, para esse exército de crianças desamparadas que nasce todos os dias? Quantas cadeias serão necessárias para enjaular os malcomportados?
A verdade é que, embora a sociedade possa ajudar, nessa área
dependemos de políticas públicas, portanto dos políticos, e estes morrem de medo de contrariar a igreja. Agem como se o planejamento familiar fosse uma forma de eugenia para nos livrarmos dos indesejáveis, quando se trata de uma aspiração legítima de todo cidadão. As meninas mais pobres, iletradas, não engravidam aos 14 anos para viver os mistérios da maternidade; a mãe de quatro filhos, que mal consegue alimentá-los, não concebe
o quinto só para vê-lo sofrer.
É justo oferecer vasectomia, DIU, laqueadura e vários tipos de pílulas aos que estão bem de vida, enquanto os mais necessitados são condenados aos caprichos da natureza na hora de planejar o tamanho de suas famílias?
Gravidez indesejada e violência urbana
A irresponsabilidade brasileira diante das mulheres pobres que engravidam por acidente é caso de polícia literalmente.
Insisto em dizer que o planejamento familiar no Brasil é inacessível
aos que mais necessitam dele. Os casais da classe média e os
mais ricos, que podem criar os filhos por conta própria, têm
acesso garantido a preservativos de qualidade, pílula, injeções
e adesivos anticoncepcionais, DIU, laqueadura, vasectomia e, em caso de falha, ao abortamento; porque, deixando a falsidade de lado, estamos cansados de saber que aborto no Brasil só é proibido para
a mulher que não tem dinheiro.
Há pouco tempo, afirmei numa entrevista ao jornal O Globo que
a falta de planejamento familiar era uma das causas mais importantes para a explosão de violência urbana ocorrida nos últimos vinte anos em nosso País. A afirmação era baseada
em minha experiência na Casa de Detenção de São Paulo: é difícil achar na cadeia um preso criado por pai e mãe. A maioria é fruto de lares desfeitos ou que nunca chegaram a existir. O número daqueles que têm muitos irmãos, dos que não conheceram o pai e dos que foram concebidos por mães solteiras, ainda adolescentes, é impressionante.
Procurados pelos jornalistas, um cardeal e uma autoridade do primeiro escalão federal responderam incisivamente que não concordavam com essa afirmação. O religioso, porque considerava “muito triste ser filho único”, e que “o ideal seria cada família brasileira ter cinco filhos”. O outro discordava baseado nos dados que mostravam queda progressiva dos índices de natalidade nos últimos vinte anos, enquanto a violência em nossas cidades explodia.
Cito essa discussão, porque encerra o nó de nossa paralisia diante do crescimento populacional insensato que fez o número de brasileiros saltar dos célebres 90 milhões em ação do ano de 1970 para os 180 milhões atuais: de um lado, a cúpula da Igreja Católica, que não aceita sequer o uso da camisinha em plena epidemia de uma doença sexualmente transmissível como a Aids. De outro, os responsáveis pelas políticas públicas, que, para fugir da discussão sobre as taxas
inaceitáveis de natalidade da população mais pobre, usam o velho jargão da a queda progressiva dos valores médios dos índices ocorrida nas últimas décadas. Dizem: cada brasileira tinha seis filhos em 1950; hoje esse número não chega a três. É provável que o argumento ajude a aplacar-lhes a consciência pública, especialmente quando se esquecem de dizer que, enquanto as mulheres de nível universitário hoje têm em média 1,4 filho, as analfabetas têm 4,4.
Em agosto de 2004, o jornal Folha de São Paulo publicou informações contidas no banco de dados do município, colhidas no período de 2000 a 2004 pela Fundação SEADE. A reportagem nos ajuda a avaliar o potencial explosivo que a falta de acesso aos métodos de contracepção gera na periferia e nas favelas das cidades
brasileiras.
Se tomarmos os cinco bairros mais carentes, situados nos limites extremos de São Paulo – Parelheiros, Itaim Paulista, Cidade Tiradentes, Guaianazes e Perus -, a proporção de habitantes inferior a 15 anos varia de 30,4% a 33,4% da população. Esses números estão bem acima da média da cidade: 24,4%. Representam
mais do que o dobro da porcentagem de crianças encontrada nos
cinco bairros com melhor qualidade de vida.
O grande número de jovens, associado à falta de oferta e trabalho na periferia, fez o nível de desemprego no extremo leste da cidade atingir 23,5% – contra 12,4% no centro da cidade no ano passado. Ele também explica por que a probabilidade de um jovem morrer assassinado na área do M’Boi Mirim, na zona sul, é 19 vezes maior do que em Pinheiros, bairro de classe média.
Nem haveria necessidade de números tão contundentes para tomarmos consciência da associação de pobreza com falta de planejamento familiar e violência urbana: o número de crianças pequenas nas ruas dos bairros mais violentos fala por si. O de meninas em idade de brincar com boneca aguardando atendimento
nas filas das maternidades públicas também.
Basta passarmos na frente de qualquer cadeia brasileira em dia de visita para nos darmos conta do número de adolescentes com bebês
de colo na fila de entrada. Todos nós sabemos quanto custa criar um filho. Cada criança concebida involuntariamente por casais que não têm condições financeiras para criá-las empobrece ainda mais a família e o País, obrigado a investir em escolas, postos de saúde,
hospitais, merenda escolar, vacinas, medicamentos, habitação,
Fome Zero e, mais tarde, na construção de cadeias para trancar os malcomportados.
O que o pensamento religioso medieval e as autoridades públicas
que se acovardam diante dele fingem não perceber é que, ao negar o acesso dos casais mais pobres aos métodos modernos de contracepção, comprometemos o futuro do País,
porque aprofundamos perversamente a desigualdade social e criamos um caldo de cultura que contém os três fatores de risco indispensáveis à explosão da violência urbana: crianças
maltratadas na primeira infância e descuidadas na adolescência,
que vão conviver com pares violentos quando crescerem.

DUAS NOVAS VACINAS NO CALENDÁRIO

Novas vacinas gratuitas no calendário de vacinação infantil: antipneumocócica e antimeningocócica

Fique atenta! O calendário de vacinação do seu filho vai ganhar duas novas vacinas este ano: antipneumocócica e antimeningocócica. Elas foram incorporadas ao calendário nacional de imunizações do Ministério da Saúde e agora serão distribuídas gratuitamente. Até o ano passado, só estavam disponíveis nas clínicas particulares, com um custo médio de R$ 250 cada dose da antipneumocócica e R$ 165 da antimeningocócica.

A primeira campanha nacional começa em março com a vacina antipneumocócica, que protege contra doenças causadas pela bactéria pneumococo, como pneumonia, meningite, sinusite e otite. As doses vão ser dadas aos 2, 4 e 6 meses, com reforço entre 12 e 15 meses. De acordo com o Ministério da Saúde, no Brasil, o pneumococo é a segunda maior causa de meningites bacterianas. Entre 2000 e 2008, foram cerca de 1.250 casos por ano.

Em agosto é a vez da vacina antimeningocócia, contra infecções e meningite causadas pela bactéria meningococo C. As crianças devem receber duas doses no primeiro ano de vida, aos 3 e aos 5 meses, com reforço aos 12 meses (ainda não confirmado pelo Ministério da Saúde).

Especialmente neste primeiro ano de implantação das duas vacinas, crianças de 1 a 2 anos que ainda não foram protegidas contra doenças causadas pelas bactérias meningococo e pneumococo serão imunizadas. As com mais de 12 meses devem tomar apenas uma única dose da antipneumocócia. Quanto à antimeningocócia, o Ministério da Saúde ainda não divulgou a dosagem. A partir de 2011, apenas crianças com até um ano serão beneficiadas.

Se seu filho já tomou alguma dose dessas vacinas na rede privada, você pode continuar a vacinação paga ou então fazê-la na rede pública, gratuitamente. “Mesmo que a dose da vacina que a criança tomou anteriormente seja de laboratório diferente da que está disponível no SUS (rede pública), não há riscos para a saúde da criança fazer essa migração”, diz Jean Gorinchteyn, infectologista do Hospital São Camilo. Só não esqueça de levar a carteira de imunização do seu filho no dia de ele tomar a vacina e de sempre respeitar as dosagens . “É importante que os pais cumpram a idade para cada dose, porque a criança não fica totalmente imunizada com apenas algumas delas”, diz Mauro Borghi, pediatra do Hospital São Luiz (SP




O Ministério da Saúde inclui, neste ano, duas novas vacinas no calendário público de vacinação. Em nota, o ministério informou hoje que vão ser incluídas no calendário básico de vacinação as vacinas pneumocócica 10-valente e a antimeningococo C. A primeira começa a ser ministrada em crianças menores de 2 anos de idade a partir de março e a segunda, a partir de agosto.
A adoção da pneumocócica 10-valente para o calendário de vacinação gratuita foi alvo de críticas  da comunidade MÉDICA, que questionou a escolha da vacina, nova no mercado e ainda sem estudos populacionais. Na rede privada, está disponível há dez anos outra vacina pneumocócica, 7-valente (a ser substituída neste ano por uma 13-valente), amplamente utilizada em diversos países.
A partir de 2011 essas vacinas vão integrar o calendário básico da vacinação de menores de 1 ano de idade. Serão investidos R$ 552 milhões, com a compra em laboratórios nacionais de 13 milhões de doses da vacina pneumocócica e 8 milhões da meningócocica, o que permitirá a imunização de 6 milhões de crianças.
Entre 2000 e 2008 o número de casos registrados de meningite bacteriana caiu de 4.276 para 2.648 (redução de 38%). No período, as mortes caíram 47%, passando de 777 para 412.
O SUS (Sistema Único de Saúde) REGISTROU entre 2000 e 2008 redução de 26,8% na ocorrência do pneumococo (principal agente de pneumonias em todas as faixas etárias). As internações no SUS pela doença caíram de 950 mil para 695 mil em 2008. No mesmo período a média anual de casos de meningite pneumocócica foi de 1.250 ocorrências, com 370 óbitos.
Os contratos com os laboratórios que vão fornecer as vacinas envolvem transferência de tecnologia. Segundo o Ministério da Saúde nos últimos cinco anos, o Brasil começou a produzir vacina contra a gripe sazonal, contra o rotavírus humano e a tríplice viral (contra sarampo, rubéola e caxumba). Essas vacinas responderam por 28,6% da produção nacional em 2008.